
Cada tatuagem, uma história única
Cada elemento, um sentimento.
Ideia inicial

A Luana me procurou com o desejo de cobrir uma tatuagem existente no braço. Desde o primeiro contato, expressou que gostaria que a nova arte fosse composta por flores e plantas que têm um significado especial para ela, transformando a tatuagem em algo pessoal e afetivo.
Ela listou as espécies que gostaria de incluir na composição:
- Arruda
- Erva-cidreira
- Rosa (na tonalidade rosa escuro, tipo magenta)
- Bougainville
- Suculenta echeveria agavoide
- Azaleia
- Árvore da felicidade
Sobre a árvore da felicidade, explicou que recebeu a planta como presente do pai alguns meses antes do falecimento dele. Após a partida, sonhou com o pai caminhando em direção a uma luz, e ele parava para ensiná-la a fazer uma muda de erva-cidreira, planta que também estava presente na casa da avó, já falecida. Por isso, incluir ao menos um galho dessa árvore é algo importante para ela.
Mencionou ainda que a planta que possui em casa é a versão fêmea da árvore da felicidade.
Disse também que a arruda está ligada à proteção e que as demais plantas são cultivadas por ela em casa.
Inspirações
Ela me mandou a foto da tatuagem que desejava cobrir e algumas fotos das plantas que gostaria de ter na composição.

O conceito
Quando conversamos mais a fundo sobre o significado da tatuagem ela me contou que a tatuagem que queria cobrir tinha um significado muito especial. Ela representava o ato de respirar — o primeiro gesto ao nascer e o último ao partir — e foi feita poucos meses depois da morte do pai, como um lembrete de manter a calma e respirar fundo nos momentos difíceis. Era uma forma simbólica de seguir em frente em meio à ausência.
Mas, com o passar do tempo, esse símbolo começou a pesar de outra forma. Já se haviam passado cinco anos, e ao olhar para aquela tatuagem, ela não sentia mais conforto — sentia tristeza. A imagem a levava de volta ao instante da dor, ao momento da despedida. Foi então que ela decidiu que era hora de ressignificar.
Durante nossa conversa, Luana lembrou que herdou do pai algo muito valioso: o prazer e a habilidade de cuidar das plantas. E foi a partir dessa lembrança que nasceu a nova ideia — transformar a tatuagem em um coletivo de espécies vegetais que guardassem a memória da relação dos dois. Cada planta escolhida carrega um pedacinho dessa história: as que crescem em sua casa, as que remetem à presença da avó, as que acompanharam sua trajetória e, principalmente, a árvore da felicidade, presente que recebeu do pai meses antes da partida.
Ela também me contou de um sonho que teve depois que ele se foi: o pai caminhava em direção à luz e parava apenas para ensiná-la a fazer uma muda de erva-cidreira, planta que também estava sempre presente na casa da avó. Foi nesse gesto simbólico que ela entendeu que a presença dos dois segue viva em cada raiz, em cada folha e em cada gesto de cuidado.
A partir dessa conversa, o projeto deixou de ser apenas uma cobertura e se tornou um jardim de memórias. Uma tatuagem que não fala mais de dor, mas sim de amor, conexão e continuidade — um espaço vivo na pele onde tudo aquilo que permanece segue florescendo.
O projeto

A tatuagem



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